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Por Luiz Fernando Mello Raposo
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10 de março de 2010 |
Esta matéria é uma pequena reflexão sobre questões como fé, esperança e razão. É dedicada aos cristãos que acreditam no Deus uno-trino e na capacidade do Espírito Santo revelar, a cada um de nós, a vontade e os mistérios do Senhor.
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| A fé é uma conquista individual, concedida pela misericórdia de Deus àqueles que O procuram por meio de orações sinceras e continuadas. A fé não é coletiva, pois depende da interação da alma com o Espírito Santo de Deus. Por isso mesmo, a alma é individual e única, uma digital não-natural, cujo propósito é possibilitar que nosso nome (o “eu”, a “consciência” de cada um de nós) seja reconhecido por Deus. |
| A fé também se associa à “esperança”, que é a crença num porvir venturoso, pois não há como crermos num “bom futuro” se nossa fé não estiver alicerçada nos princípios ditados pela palavra de Deus. Neste sentido, a “esperança” corresponde à crença individual na salvação da alma. E assim como a fé e a alma, a esperança também é eminentemente individual. |
Razão e Esperança
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| Um exemplo de conexão entre razão e fé é a “esperança matemática”. O problema foi proposto por Nicolaus Bernoulli (1695-1726) e posteriormente tornou-se conhecido como o “Paradoxo de São Petesburgo”. Na matemática dos seguros de vida, é importante saber se, numa certa aposta, uma pessoa faz um bom negócio ou não. O resultado é dado pela "esperança matemática", definida como o produto da probabilidade de ocorrência de um acontecimento pelo valor do prêmio que a pessoa recebe se ganhar. |
| Exemplo: Numa rifa de cem números está em oferta um prêmio no valor de 2000 reais. Cada bilhete custa 40 reais. Estará o comprador fazendo um bom negócio para viabilizar sua expectativa individual de ganho? |
Solução: Probabilidade de sucesso = 1/100; Valor do prêmio = 2000; Preço do bilhete = 40.
E(M)= 1/100 x 2000 = 20. Logo, somente vale a pena correr o risco (ou ter fé, isto é, acreditar na esperança de acerto) se o preço pago pelo bilhete for de 20 reais. |
| Portanto, a “esperança matemática” elimina da esperança propriamente dita a “fé” que provém do Espírito Santo de Deus , pois sujeita a expectativa de futuro a um cálculo, cuja viabilidade implica, necessariamente, a pré-existência de um sinal matemático positivo. Ou seja: a fé, quando sujeitada pela razão, é abstraída de seus aspectos sobrenaturais para se tornar algo eminentemente abstrato, quantificável, para assim poder ser operada pela razão. No exemplo acima, a “fé” somente teria o aceite da razão se o “custo da esperança” fôsse igual ou menor que 20 reais. |
Em resumo: enquanto a "fé" é racionalizada pela razão e para seus propósitos específicos, a fé original depende, taosomente, da disposição individual em obter da graça de Deus maior firmeza na crença em Sua palavra e na salvação eterna.
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Conclusão
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| Fé e razão são entes distintos. A primeira tem por sujeito Deus e, por objeto natural, as coisas do espírito, regidas pela dialética (o pensar que opera as atividades que demandam interação entre pessoas ou entre cada um e o Espírito de Deus). É, ainda, um atributo da alma (ou consciência). A segunda tem por objeto a natureza, as coisas abstratas e as materiais, que integram o conhecimento científico. Sua lógica é aristotélica (lógica formal). |
O propósito da fé genuína é a salvação individual. A finalidade da razão é assegurar meios para mais e melhor segurança quanto ao futuro da humanidade em termos eminentemente naturais. A Bíblia é o Livro da Fé. A Ciência é o Livro da Razão.
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| A fé não é inimiga da razão, mas a razão pode sufocar a fé. |
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Última Atualização ( 15 de março de 2010 )
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